Sobre

O Autor e o Blog

Eu sou um advogado e investidor autodidata falando sobre value investing e que aplica o Deep Value no Brasil.  O objetivo desse blog é mostrar e discutir os resultados dos meus estudos.

Eu segui um caminho bastante acidentado até aqui.  Abaixo, eu falo um pouco sobre esse caminho, que descobri ser semelhante àquele de diversos outros investidores individuais.

Para mim é impossível não colocar alguma dose de senso de humor nessa jornada.  O nome desse blog é inspirado no Baby Herman, um desenho animado que aparece no filme “Uma Cilada Para Roger Rabbit”.  O Baby Herman é um homem de 50 anos no corpo de um bebê de 3 anos.  Ele é a personificação dos extremos: idade e juventude.  Essa condição é claramente mostrada na seguinte frase do filme “The problem is I got a fifty year old lust and a three year old dinky”.  Alguma coisa parecida acontece quando você é um autodidata: há coisas que você sabe em profundidade, mas há outras coisas em que seu conhecimento é muito pobre.  Você é obrigado a viver com isso e seu desenvolvimento será diferente.  Talvez sua jornada seja um pouco mais acidentada, mas será sempre divertida!

O Começo de Tudo

Tudo começou em meados dos anos 80, em uma agência da Caixa Econômica Federal.  Fui abrir uma caderneta de poupança com meu avô.  E, em um tremendo anticlímax, vi um quadro que mostrava o rendimento da poupança e da bolsa.  Momento de bolsa em alta.  Um contraste incrível e uma pergunta: porque investir na poupança se ela rende tão pouco?  Nem lembro se perguntei isso ao meu avô.  Mas desde então isso ficou na minha cabeça.  Nesse momento, meu lado investidor foi concebido.  A gestação foi longa e trabalhosa.

A Gestação de um Investidor Autodidata

Meu lado investidor teve uma longa gestação.  Depois de concebido em meados dos anos 80, ele quase veio ao mundo no final dos anos 90, quando comecei a juntar algum dinheiro com o trabalho.  Surgia o homebroker!  Bolha da Internet!  No Brasil, a Globo Cabos se valorizava por causa disso!  Sim, TV a cabo se valorizando por causa da internet!  Incrível, não? E ainda se fala que o mercado é eficiente…

Era o ambiente perfeito para a gestação do meu lado investidor acelerar!  Mas aquele embrião era um idiota!  Idiota perfeito! E sabem o que idiotas perfeitos fazem?  Seguem as dicas de outros idiotas!  E compram ações da Globo Cabos (PLIM4)! Em benefício da boa educação, digamos que tomei na testa.  Uma catástrofe!  Segui o filme repetido que sempre acontece.  Comprei na alta e vendi na baixa.

Com esse trauma na gestação, meu lado investidor resolveu não nascer.  Tinha uma conta caríssima pela frente: mestrado no EUA, a pagar do meu próprio bolso.  Nada de ações por um longo tempo.

Colocando as Coisas em Prática (e Estudando)

O ano é 2006 ou 2007.  Vida espartana (flat de uns 40 m2, devidamente alugado para economizar) e algum dinheiro guardado.  No Brasil e no mundo ia tudo bem.  Bem até demais…  Fiquei novamente tentado a deixar meu lado investidor nascer.  Mas pensei melhor e decidi me terceirizar enquanto investidor.  Ações? Não, obrigado.  Mas um fundo de ações seria uma alternativa.  Algumas opções clássicas no menu:  Fama e Orbe.  E virei leitor das cartas aos cotistas.  Esse pessoal escrevia mais nessa época, principalmente a Orbe.  Bem didáticos.  Benjamin Graham na veia.  Nunca tinha ouvido falar dele.  Mas comprar US$1,00 por US$0,50 parecia fazer sentido, concordam?  E segui lendo, vendo que se tratava de um assunto bem interessante.  Mas advogado não sabe fazer conta! Assim, continuei na minha posição de voyeur.  Mas não teve jeito.  Ser voyeur é broxante!  E a gestação do meu lado investidor acelerou!

Então veio 2008!  E o mundo começou a acabar.  Nada de trabalho no escritório.  Nessas horas era bom ser empregado de escritório rico.  Os donos segurariam as pontas até o ambiente de negócios melhorar.  E eu tive um bônus inesperado, na forma de um dos bens mais preciosos que existe: tempo!  Muito tempo!  Meu esporte favorito virou ver crise na TV e na internet.  Nasci nessa hora?  Não!  Continuei investindo em fundos de ações, que agora derretiam mais que manteiga na frigideira quente…

Outra coisa que aconteceu foi a aceleração da gestação do meu lado investidor.  E agora eu era um idiota em menor grau. Para lidar com os meus limites decidi começar a estudar. Comprei vários dos livros citados nas cartas aos cotistas que lia. Comecei a estudar matemática financeira, contabilidade e finanças. E aprendi a usar a HP12C. Mais tarde, usar a HP12C me daria o apelido de “Mago Merlin”, dado por um cliente italiano do escritório.

Depois de algum estudo, eu sentia que meu lado investidor estava pronto para nascer.  E ele nasceu!  Era mais ou menos 2010. Eternit (ETER3)! Eu comprava minhas primeiras ações e virava um feliz acionista da Eternit.  Sem saber o que era amianto de crisotila!  Como se diz em inglês, “ignorance is bliss”.  Mas cá estava eu, um feliz ignorante disposto a deixar de ser voyeur.

A Filosofia Chinesa

Nessa época eu ainda não tinha uma filosofia de investimentos.  Mas eu já havia nascido e precisava fazer alguma coisa.  Então, decidi me inspirar nos orientais.  O leitor pode imaginar também que a filosofia chinesa tem relação com a espera e a paciência, coisas típicas de orientais e culturas milenares, que são importantes para investimentos.  Não, também não foi isso. Mas então o que era a “Filosofia Chinesa”?  Algo mais profundo, religioso talvez?

Não, algo muito mais simples!  Eu copiava!  Eu era um pirata de baixa qualidade de carteira de investimento de fundos e investidores famosos.  Bom, se eu era um pirata de baixa qualidade, não é muito difícil imaginar a qualidade da carteira que montei…  Sim! Uma porcaria!  E assim foi até que eu comecei a usar a abordagem quant que trato no blog.

Tratando as Coisas com Seriedade

Eu passei a tratar as coisas mais seriamente quando percebi que eu poderia aplicar o Deep Value no Brasil.  Além disso, também aprendi que eu poderia estudar diversas variações do Deep Value e outros métodos de investimento também.  Para mim, isso foi uma revolução.  Eu espero dividir com os leitores meus estudos e contribuir para que o caminho de qualquer pessoa interessada em investir em ações seja menos acidentado que o meu.

E uma palavra final, sobre como vejo value investing.  Para mim, value investing é uma forma muito concreta de uma frase de Arthur Schopenhauer: “O problema não é ver o que ninguém viu, mas pensar o que ninguém pensou sobre aquilo que todo mundo vê.”